quarta-feira, 12 de maio de 2010

NICHOLAS WINTON : O FILME DA SUA VIDA E OUTROS HERÓIS

Homenagem a todos os heróis / heroínas que para salvar vidas, puseram as suas em risco.


Há Homens ( Mulheres ), que lutam um dia, e são bons
Homens que lutam um ano ,  e são melhores,
Homens que lutam muitos anos e são muito bons,
Mas há Homens que lutam toda a vida.
Esses, são imprescindíveis.

Brecht

           
Nicholas Winton


O corretor Inglês , Nicholas Winton conseguiu resgatar graças ao esforço desenvolvido, 669 crianças Checas, que estavam condenadas aos campos de extermínio nazis, facto que só foi reconhecido mais de meio século depois . Durante mais de 50 anos, a maioria destas crianças , desconheceu quem as salvou.
A esposa Greta, deparou - se  acidentalmente, com uma pasta velha de couro, no sótão da casa , que continha uma lista das crianças salvas e as cartas dos pais. Ele não tinha contado nada à esposa, sobre o seu papel durante a guerra.
Ano - 1939. Local - Londres, estação de Liverpool. Mais de uma centena de crianças amontoadas, com etiquetas presas em seu pescoço, desembarcam do trem, uma atrás da outra.

Mais uma vez, a história mostrou que, às vezes, uma pessoa sozinha faz a diferença e consegue até mudar o rumo da história e da vida de inúmeras outras. Assim foi com Nicholas Winton, o inglês que, com sua iniciativa e empenho pessoal, salvou a vida de centenas de crianças, na sua maioria judias, ajudando-as a escapar do Holocausto.
O envolvimento de Winton na operação que culminou com o transporte das crianças da então Checoslováquia para a Grã-Bretanha começou por causa de um fato corriqueiro. Era o ano de 1938 e Winton viu cancelados seus planos de férias de final de ano com seu amigo, Martin Blake, funcionário da Comissão Britânica para Refugiados da Checoslováquia. Este, por sua vez, fez a seguinte sugestão ao amigo: "Venha comigo para a Checoslováquia. Quero mostrar-lhe algo". E Winton aceitou o convite, perguntando-se o que Blake poderia ter para lhe mostrar.
Ao chegar à Checoslováquia entendeu o que o amigo queria dizer. Diante dos seus olhos, milhares de refugiados desesperados - judeus assustados, comunistas e dissidentes políticos tinham que deixar o país rapidamente por causa do Acordo de Munique, assinado em setembro e, segundo o qual, a Grã-Bretanha, a França e a Itália tinham concordado em retirar as  suas tropas do território checo e ceder à Alemanha uma parte desse território. "Quando vi todas aquelas pessoas, percebi que deveria fazer algo para ajudá-las". E fez.
Winton ficou três semanas em Praga, reunindo fotos e informações sobre jovens que precisavam de ajuda. Ao regressar à Grã-Bretanha, teve que convencer o governo a permitir a entrada dos jovens refugiados, o que de fato conseguiu, e atender às condições impostas pelas autoridades. Winton conseguiu através do apoio de organizações beneficentes e de organizações cristãs encontrar pessoas interessadas em adotar os refugiados, assim como obter os recursos necessários para o transporte e para o deposito de 50 libras para cada criança .
Durante os primeiros nove meses de 1939, organizou o transporte de crianças para a Grã-Bretanha, chegando ao total de 664 jovens, dos quais 90% eram judeus. O novo grupo, com quase 200 passageiros, deveria partir no dia 3 de setembro, quando a guerra eclodiu. Todos os meios de transportes foram bloqueados e os que não conseguiram sair da Checoslováquia foram enviados para  campos de concentração, nos quais morreram , como milhares de outros judeus, durante o período de 1939 a 1945.
Apesar de todo o seu empenho, o responsável por essas operações de resgate permaneceu oculto, durante quase meio século. Nem as crianças por ele salvas sabiam a quem agradecer por estarem vivas. O fato tornou-se conhecido, mais por obra do destino do que por iniciativa de Winton.
No final de 1987, enquanto organizava os seus documentos, Winton encontrou a lista com os nome de todas as crianças que tinha salvo em 1939. Não sabendo o que fazer com a lista, foi aconselhado por um amigo a entregá-la à Dra. Elizabeth Maxwell, uma especialista em estudos sobre o Holocausto, esposa de um jornalista judeu, o magnata Robert Maxwell. A história foi publicada no Sunday Mirror, um dos tablóides da família Maxwell, com grande repercussão.
A apresentadora de televisão londrina Esther Rantzen, ouvindo a história, interessou-se em trazê-lo a seu programa, "That's life". Sob o pretexto de que viesse apenas assistir ao show para prestigiá-la, colocou Winton estrategicamente na primeira fileira. Durante o programa, Rantzen anunciou: "Senhor Winton, tenho uma surpresa para lhe contar. Sentados ao seu lado estão duas das pessoas que o senhor salvou da Checoslováquia, em 1939".
Vera Gissing, que estava ao seu lado, relembra que seus olhos se arregalaram ao fitá-la e que começaram a lacrimejar: "Para mim, após tantos anos, ter finalmente conhecido o homem que salvou a minha vida, foi um momento muito especial. Fiquei apenas preocupada com ele, pois pensei que, que aos 80 anos, o choque seria muito forte, mas a verdade , é que teve uma grande alegria em nos conhecer .
Na obra, a autora relata toda a sua vida, os seus méritos e a operação de resgate que se iniciou em 1938. Na época, ele trabalhava como operador na Bolsa de Valores. Vera Gissing conta que, quando a guerra eclodiu, não havia quase nada que Winton pudesse fazer para ajudar os refugiados. Porém em 1942, ele abandonou o mercado financeiro e tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, em França. Posteriormente começou a trabalhar nas Nações Unidas e, de seguida, no International Bank, em Paris. Depois de se aposentar dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário, tendo sido homenageado em 1993 com o título de Membro do Império Britânico e incluído na lista de honra da rainha Elizabeth.

Atualmente, Winton vive em Maidenhead, perto de Londres, com a sua esposa, com a qual é casado desde 1948. Tem dois filhos; um terceiro faleceu na infância. Desde 1988, no entanto, a  sua família cresceu rapidamente. "Ele é nosso pai e avô honorário, porque a nossa família foi exterminada durante a guerra", afirmou Vera Gissing.
Sessenta destas "crianças" reuniram- se num evento chamado "Obrigado, Inglaterra", organizado pelo embaixador checo para honrar aqueles que acolheram e facilitaram a adaptação destes refugiados. Na ocasião, a atuação de Nicolas Winton foi comparada à de Oscar Schindler, por um dos organizadores.
Nicolas Winton, no entanto, não entende o porquê de tantas homenagens. "Ele considera que apenas fez o seu dever", explica Vera Gissing. "Outras pessoas também tiveram méritos nesta operação, mas Winton foi quem idealizou e organizou o salvamento de tantas vidas. Sem ele, algumas poucas crianças poderiam ter sido salvas, apenas algumas".Nicholas Winton reside em Maidenhead, Grã-Bretanha. Foi agraciado com o título de " Membro do Império Britânico " (MBE) em 1983, pelo seu trabalho de caridade com idosos, nomeadamente, pela criação das Casas Abbeyfield. Durante o verão de 1998, num evento chamado "Thank You Grã-Bretanha ", patrocinado pelo embaixador da República Checa para a Inglaterra, homenagearam-se  aqueles que acolheram no Reino Unido, os refugiados de Praga . Na Checoslováquia , Winton, foi premiado com o " Freedom of the City of Prague ", e em 28 de Outubro de 1998, Vaclav Havel, presidente da República Checa , veio-lhe a conceder a Ordem de TG Marsaryk , numa grandiosa cerimónia  que ocorreu no Castelo de Hradcany. Em Dezembro de 2002, Winton recebeu ainda o título de cavaleiro da rainha Elizabeth II.
Por sua vez, Israel nunca o  reconheceu como  um dos " Gentios Justos " do Yad Vashem .
Não que Winton se importe com isso, ou deixe de ser o que foi por causa disso.

Helena Sousa










                 OSKAR SCHINDLER


Oskar Schindler (Zwittau-Brinnlitz, 28 de Abril de 1908 — Hildesheim, 9 de Outubro de 1974) foi um empresário alemão  célebre por ter salvo 1.200 trabalhadores judeus do Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.
Tornou-se membro do Partido Nazi após a anexação dos Sudetas em 1938.
No início da Segunda Guerra Mundial,como tinha algum dinheiro e era esperto, mudou-se para a Polônia a fim de ganhar ainda mais dinheiro , aproveitando-se da situação da guerra. Para tal , abre em Cracóvia, uma fábrica de utensílios esmaltados, onde passa a empregar trabalhadores judeus. Teve de ir  buscar estes trabalhadores ao Gueto de Cracóvia, local onde todos os judeus da cidade tinham sido obrigados a alojar-se, para os empregar na sua fábrica de Cracóvia. Em Março de 1943, o gueto foi invadido pelas tropas nazis e os poucos moradores que não foram executados de imediato no local, foram enviados para o campo de concentração de Plaszow. Os operários de Schindler trabalhavam o dia todo na sua fábrica e à noite voltavam para Plaszow. Quando, em 1944, os administradores nazis do campo de concentração de  Plaszow receberam ordens superiores para o desactivar , devido ao grande avanço das tropas russas, - o que significava mandar todos os habitantes para outros campos de concentração onde seriam mortos - Oskar Schindler convenceu-os através de subornos , que necessitava de operários "especializados", tendo então criado a famosa Lista de Schindler.
Os judeus integrantes desta lista foram transferidos para a sua cidade natal de Zwittau-Brinnlitz, onde Schindler , os colocou numa nova fábrica adquirida por ele , em Brnenec.
No fim da guerra, 1200 judeus entre homens, mulheres e crianças tinham sido salvos de morrer nos campos de concentração nazis.
Nos últimos dias da guerra, antes da entrada do exército russo na Morávia, Schindler conseguiu ir para a Alemanha, para território já controlado pelos Aliados, livrando-se de ser preso , por causa dos depoimentos dos judeus a quem tinha ajudado.
Finda a guerra, ele e a sua esposa Emilie , foram agraciados com uma pensão vitalícia do governo de Israel em agradecimento pelos seus actos humanitários.
O seu nome foi inscrito, junto a uma árvore plantada no centro da cidade, na avenida Dos Justos e no museu do holocausto em Jerusalém, ao lado do nome de outras cem personalidades não judias que ajudaram os judeus durante o Holocausto.
Durante a guerra tornou-se próspero, mas gastou todo o  seu dinheiro com a ajuda prestada aos judeus que salvou e com empreendimentos que não deram certo finda a guerra.
O túmulo de Oskar Schindler encontra-se em Jerusalém, e  na Baviera, existe um memorial a Schindler, na localidade de Ratisbona.
Schindler, viveu na Alemanha, na cidade de Hildesheim (Rua Goettingstrasse 30 no bairro Weststadt) entre 1971 e 1974 e morreu pobre num hospital em Hildesheim no dia 9 de Outubro de 1974, com 66 anos de idade.
Foi enterrado no cemitério cristão (ele era Luterano) no Monte Sião em Jerusalém com honras de herói.
A sua história foi contada em livro (Schindler's Ark) por Thomas Keneally e, posteriormente filmada por Steven Spielberg (A Lista de Schindler) no ano de 1993.
Este filme é considerado pelo próprio Spielberg e pela crítica , como a sua obra-prima, e foi apontado entre os dez melhores filmes da história de Hollywood. O filme foi filmado a preto-e-branco para criar o efeito sombrio que se vivia na época.
Este filme, foi o incontestável vencedor do Óscar de 1994 e Steven Spielberg levou a estátua  de melhor direção.


Helena Sousa


04 Outubro, 2010



Visita à Fábrica-Museu de OSKAR SCHINDLER ( feita por Paulo Franke , brasileiro ).
Relato da visita : 
No dia anterior, do castelo de Cracóvia, fotografei a ponte ao fundo sobre a qual passaria para visitar a Fábrica-Museu de Oskar Schindler.
Por falta de tempo não visitei o bairro judeu de Kazimierz, onde viviam 68 mil judeus, transformado em 1941 num gueto. Poucas centenas sobreviveram no final da guerra. O próprio bairro escapou da destruição pela razão de que os alemães queriam estabelecer nele um macabro museu sobre "a raça que se desvaneceu/se evaporou".
Visitei a fábrica quando ainda não se transformara em museu, o que aconteceu há poucos anos, agregando-se assim aos Museus Históricos da Cidade de Cracóvia.
Preferi tomar o tempo necessário para visitar a fábrica- museu.
Impressionante e de máximo interesse o que vi neste lugar entrando através do portão, fielmente retratado no filme "A Lista de Schindler".
Os vidros, tanto por fora como por dentro, estão cheios das fotos dos operários de Schindler ("os judeus de Schindler"), totalizando  1.100  judeus  que ele, ao empregar na fábrica ,  salvou do extermínio.
À entrada da fábrica, numa placa , podemos ler :
"Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro" .
Pode-se também ver uma foto do corajoso Oskar Schindler com os "seus judeus", do herói que arriscou a vida para salvar judeus do extermínio planeado por Adolph Hitler.
Oskar foi um católico nascido em em Zwitau, Tchecoslováquia, em 1908. Era membro do partido nazi. Adolph Eichmann, que maquinou e executou "a solução final", odiava-o.
Na recepção da fábrica-museu, recebemos um folheto-guia intitulado " Cracóvia sob a ocupação nazi, de 1939-1945.
Na contracapa, o mapa a ser seguido pelo visitante, começa no andar térreo e sobem-se as escadas originais que chegam ao segundo andar.
A entrada custa 15.00 zlotes (€ 5.00) . Fotos da época mostram como se desenrolava a vida dos cidadãos sob a ocupação nazi.
Recentemente as grandes instalações da fábrica original foram transformadas num moderno museu de dois andares, com grandes corredores de exibição também da ocupação alemã de Cracóvia. O ano de 1943, é o do auge dos acontecimentos... chamando-me a atenção por ser o ano em que nasci, longe, muito longe de todos aqueles horrores.
A vida dos cidadãos poloneses foi transformada em pesadelo, enquanto que para os judeus significou gueto, trabalhos forçados e deportações em massa para Auschwitz-Birkenau e para outros campos de extermínio nas proximidades da cidade, portanto,  " morte " !
Quase à entrada, há como que um "relógio-ponto" onde são carimbados o símbolo polaco do "magistrat" e o símbolo nazi.
Cracóvia, 6 de agosto de 1939. O último dia da 25a. reunião anual dos soldados da Legião Polaca celebrada na Cracóvia.
Cracóvia, 1 de setembro de 1940. Os nazis celebram o primeiro aniversário do início da guerra em Rynek Glowny, na Cracóvia. Durante o evento, o nome da praça foi oficialmente transformado em "Adolf Hitler Platz ".
Vi um quadro de anúncios alemães na Cracóvia, que agora fazem parte do museu.
Que me lembre, foi a primeira vez que vi  num museu um uniforme nazi e o boné  que cobria a cabeça maligna, cruel e endemoninhada dos militares nazis, além de  um capacete de aço com a suástica bem visível e um cantil.
Na fábrica de Oskar Schindler os operários judeus, eram tratados com humanidade. Vi ainda uma  réplica da farmácia (apotheke) da fábrica. A mesma palavra é usada para farmácia em sueco e em finlandês.
E no segundo andar do museu instalado na fábrica, chegamos ao escritório de Oskar Schindler, onde altos negócios eram tratados e também altos planos e transações, inclusive financeiras, para salvação dos judeus. Neste escritório podemos ver fotos, objetos típicos de uma escrivaninha  , e jornais da época.
Fotografei sómente uma das paredes onde constam os nomes dos operários da fábrica, os "judeus de Schindler".
Originais ou não, ao longo da visita vemos equipamentos industriais.
Enquanto havia instrumentos para a morte, estes salvaram vidas.
Muitos carrinhos transportaram corpos para serem enterrados ou cremados; estes carregavam os produtos da fábrica salvadora de tantos judeus!
Exposição de fotos de Oskar Schindler e de seus operários à saída da fábrica-museu.
Uma foto de depois da guerra, onde o  herói Schindler posa junto com judeus, já em Israel, país onde foi reverenciado e que, passou a visitar anualmente.
À saída da fábrica, os vidros repletos de fotos no seu interior, dos que foram salvos pelo herói.
Comprei esta caneca esmaltada, um souvenir da fábrica, produzida exatamente com a mesma tecnologia do tempo da guerra, além do  DVD "A Lista de Schindler " filme realzado por Spielberg.
O director judeu Steven Spielberg foi a Cracóvia filmar "A Lista de Schindler" em 1993. Foi Liam Neeson, que interpretou Schindler magistralmente. 
No filme, os flocos que caiem, não são para parecerem neve, mas sim, cinzas dos cadáveres cremados que saíam incessantemente pelas chaminés. Como não teve  autorização para filmar no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, tiveram de ser montados cenários semelhantes.
Ben Kingsley interpretou o contabilista de Schindler, de nome : Itzhak Stern ( também judeu ).
Este actor também interpretou Simon Wiesenthal, o caçador de nazis no filme sobre a sua vida.
Nas veias do ator corre sangue indiano e também inglês, além de muito talento.
O filme de Steven Spielberg foi baseado no livro "A Arca de Schindler" (Schindler's Ark), do escritor australiano Thomas Keneally, e nos depoimentos de pessoas salvas por Oskar, inclusive no de Andor Stern, considerado o único judeu brasileiro que foi prisioneiro em Auschwitz-Birkenau .

Amon Goeth, foi o  cruel nazi que dirigia o campo de concentração  onde Schindler ía "recrutar" os seus trabalhadores. Foi o ator Ralph Fiennes quem o interpretou.
Um dos "passatempos" de Amon Goeth era , da sacada de sua casa, que ficava mais alta que  o campo, atirar em judeus que vía a deambular no campo, ou a trabalhar no exterior com a sua espingarda ao calha tanto fazia acertar em crianças, como mulheres, como velhos, era a sua distração diária, fazer pontaria e disparar. 
Spielberg  não esqueceu isto no seu filme .

Por ocasião do lançamento do filme "A Lista de Schindler", havia 6.000 descendentes dos 1.100 judeus salvos por ele. Emocionante é uma das cenas finais do filme, quando a sepultura de Oskar Schindler, que morreu em 1974, é visitada pelos sobreviventes que trabalharam na fábrica cada qual ao lado do respectivo ator que interpretou seu papel no filme .
Também fotografei no início deste ano A árvore  de Oskar Schindler na Avenida dos Justos de todas as Nações (heróis que salvaram judeus) no Museu do Holocausto Yad-Vashem, em Jerusalém .
Na mesma viagem a Israel visitei a sepultura de Schindler no Cemitério Luterano situado no Monte Sião.

























             DIETRICH BONHOEFFER

Bonhoeffer foi um dos mentores e signatários da Declaração de Bremen, quando em 1934 diversos pastores luteranos e reformadores formaram a Bekennende Kirche, ou  "Igreja Confessante",  rejeitando e desafiando, o partido nazi:
" Jesus Cristo ,  é o nosso único Salvador" afirmaram , e não homem algum ou o Estado, .
O movimento foi então, declarado ilegal.
Foi membro da resistência anti-nazi alemã e como foi dito, o fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica, contrária à política nazi.
Em Março de 1943 foi preso por ajudar judeus a fugirem para a Suiça. Levado de uma prisão para outra , em 9 de Abril de 1945, três semanas antes das tropas aliadas libertarem o campo, foi enforcado, juntamente com o irmão Klaus e os cunhados Hans von Dohnanyi e Rudiger Schleicher, pouco tempo antes do próprio Hitler cometer suicídio.
A sua obra mais famosa, escrita no período de ascenção nazi, foi a obra : " Discipulado ".
Disse ele nessa sua obra :" Deus precisa de homens que façam o melhor uso de todas as coisas .Deus espera por orações sinceras e acções responsáveis da nossa parte, e dá-lhes resposta ".

Breslau, 4 Fevereiro 1906 - Berlim, 9 Abril 1945.



                      Irena Sendler


       IRENA COM SOBREVIVENTES JUDIOS QUE SALVOU

Irena Sendler morreu recentemente, sabes quem foi?
Uma senhora de 98 anos chamada Irena Sendler acabou de falecer.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus planos iam mais além...
Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã ) !
Irena trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de serapilheira, na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da camioneta, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.Por fim os nazis souberam dessas atividades e em 20 de Outubro de 1943, Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada, tendo-lhe partido ambas as pernas, e os braços. Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: Jesus, em Vós confio”, tendo-a conservado consigo até 1979 .
Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma arvore no seu jardim.
Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a familia. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás.
Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou - os a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos.
No ano passado foi proposta para receber o Prémio Nobel da Paz , mas não foi seleccionada !
Quem o recebeu foi "Al Gore", por uns diapositivos sobre o aquecimento global !
"A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade." - Irena Sendler .

Não permitamos que alguma vez, esta Senhora seja esquecida!

Helena Sousa






                    JOSÉ BRITO MENDES
 

É assim que termina a carta escrita em 1942 por Fojgel (Fanny) Berkovic, a Marie-Louise e ao seu marido de ascendência portuguesa, José Brito Mendes, a quem ela confiara a guarda da sua filha Cécile, para a proteger das rusgas da polícia francesa às ordens da Gestapo .
"Espero que um dia, quando nos voltarmos a ver, o meu marido e eu reencontremos a nossa filha e voltemos a estar de novo juntos e felizes."
Fojgel Berkovic não realizou o seu sonho, de voltar a juntar-se à sua filha. Apenas voltou a ver a filha, de cinco anos, quando já estava por detrás do arame farpado do campo de Drancy, a caminho de Auschwitz , de onde nunca voltou.
Mas a filha Cécile, sobreviveu, graças à coragem da família do português Brito Mendes.
José Brito Mendes emigrou para França em 1926, onde casou com uma francesa, Marie-Louise, e de quem teve um filho, Jacques. Viviam em St. Ouen, nos arredores operários de Paris. Mesmo em frente à sua casa vivia um casal de judeus polacos, Aron e Fojgel Berkovic, com a filha Cécile, nascida em 1937. Aron era sapateiro e tinha uma pequena oficina na mesma rua onde moravam. Daí assistia às brincadeiras de Cécile e Jacques, praticamente criados juntos naquele bairro onde se aglomeravam, na época, imigrantes espanhóis, italianos, portugueses e polacos.
Mas em 1942, a 15 de Junho, Aron é deportado e morre em Auschwitz. A sua mulher Fojgel esconde-se algures em Paris, mas antes confia Cécile à guarda da família Brito Mendes, numa tentativa desesperada de a salvar. Com efeito, meses depois, apesar de escondida, Fojgel é presa e levada para o campo de trânsito de Drancy, de onde partiam os transportes para os campos de extermínio. Antes da sua partida, José Brito leva Cécile ver a mãe uma última vez: tem já cinco anos, mas já sabe que não a pode chamar de mãe. Pela sua segurança e pela segurança de José. Tem de esconder que é judia, fingir que é prima de Jacques e que o seu nome é Bellouin – nome de solteira de M. Louise. Mas as crianças aprendem depressa…
A família Brito toma conta de Cécile, como uma filha – apesar dos cartões de racionamento e do perigo sempre iminente de uma rusga policial, porque quem esconde judeus corre o risco de ser deportado. Esta acontece efectivamente em 1943 devido a uma denúncia, mas a Gestapo não encontra Cécile, momentaneamente ausente. Para José Brito é o sinal de alarme: Cécile e Jacques são enviados para a província, onde ficam em casa de familiares do casal.
O tempo passa, a guerra acaba, os pais de Cécile não voltam e o casal Brito prepara-se para adoptar a criança. Mas do campo de concentração de Dachau chega um sobrevivente da família: um tio de Cécile, que obtém a sua guarda e a leva para os Estados Unidos, para bem longe das sombras da Europa… e dos Brito Mendes que nunca se consolarão verdadeiramente da dor da sua perda.
Cécile nunca mais viu a família que a salvou. Nos Estados Unidos, mudou de nome, estudou, exerceu advocacia, casou e teve duas filhas. Voltou a França em 1987 à procura dos Brito Mendes, mas não os encontrou. Morreu sem os rever.
Jacques continuou sempre à procura da irmã perdida. Não a encontrou mas, em 2002, graças à Internet e às Associações das Crianças Escondidas, descobriu as filhas de Cécile, que, embora ao corrente de que ela nascera em França e que os avós tinham sido mortos em Auschwitz, nada mais sabiam sobre o passado francês da sua mãe. "Ela não falava nunca", explica Cara, filha de Cécile. "Era a época em que ficou órfã e o sofrimento permaneceu muito vivo." Para Jacques, encontrar as filhas de Cécile foi "um vazio que se encheu com o que se tornou Cécile, a sua vida". "O tempo passou, muitos actores desta história estão mortos, mas, se os nossos filhos se conhecerem, a história continua".
Em 2004, devido aos esforços de Cara, a filha americana de Cécile, o Yad Vashem, Autoridade Nacional para a memória dos Mártires e Heróis do Holocausto, de Jerusalém, atribuiu a José e a Marie-Louise Brito Mendes o título de "Justo entre as Nações" – já desde 1967 também atribuído a outro português, Aristides de Sousa Mendes – por, "arriscando a própria vida, terem salvo judeus perseguidos durante o período da Shoah na Europa". O diploma de honra a eles atribuído refere ainda que "o seu nome será homenageado para todo o sempre, e gravado no Muro dos Justos das Nações no memorial Yad Vashem em Jerusalém".
Porquê contar hoje e aqui esta história? Em primeiro lugar, porque é uma história bonita que trata da bondade humana. Numa época em que esta era um acto demasiado solitário, em que grassava o medo ou a indiferença, a denúncia e a colaboração, não é demais lembrar que a bondade também existiu. Os Brito Mendes eram certamente pessoas simples, não foram heróis da Resistência, mas à sua maneira foram dos poucos a praticar o lema do Yad Vashem retirado do Talmude: "Quem salva uma vida salva toda a humanidade."No memorial de Jerusalém estão gravados os nomes de dois portugueses. Mas muitos mais foram sensíveis ao sofrimento de judeus e não judeus que fugiam das garras do nazismo. Segundo Avraham Milgram, historiador do Yad Vashem – a quem devo o conhecimento da história que hoje divulgo entre os leitores portugueses –, em Fevereiro de 1941, a PIDE (Policia de Vigilância e Defesa do Estado) comunicou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que "os consulados de Portugal em Milão, Budapeste, Bucareste e Antuérpia estão a conceder vistos em passaportes de estrangeiros, fora das instruções superiormente recebidas". O que, do ponto de vista de Milgram, mostra que o desrespeito às ordens recebidas era um fenómeno amplamente difundido nos meios consulares. Em geral, as representações consulares portuguesas eram sensíveis ao destino dos judeus. Não encontramos no arquivo histórico do Ministério dos Negócios Estrangeiros documentos que testemunhem preconceitos ou atitudes anti-semitas da parte de cônsules portugueses no exterior, da mesma forma que não havia denominador comum – ideológico ou político – entre os diplomatas portugueses que ajudaram judeus a sair da Europa via Portugal.
"A compaixão pelo sofrimento alheio, no caso dos judeus, era comum ao monárquico Aristides de Sousa Mendes, ao anti-marxista Alfredo Casanova, ao republicano Alberto da Veiga Simões, ao liberal Giuseppe Agenore Magno", escreve A. Milgram. Poder-se-ia acrescentar Sampaio Garrido e Teixeira Branquinho em Budapeste, entre outros dos serviços consulares de Portugal.
A perseguição e a destruição dos judeus produziu atitudes diametralmente opostas: o mal absoluto e a compaixão humana. Hoje, prefiro lembrar a compaixão humana na pessoa de José de Brito Mendes, um "justo" português.

Publicado no Jornal Público, em 10 de Novembro de 2006



                   Miep Gies






Biografia de Miep Gies


Hermine (Miep) Santrouschitz – Gies nasceu no dia 15 de Fevereiro de 1909 na Áustria e morreu no passado dia 11 de Janeiro de 2010 com 100 anos.
Ela foi para a Holanda em 1920, depois da Primeira Guerra Mundial, juntamente com outras crianças subnutridas. A ideia dos seus pais era que ela voltasse para casa mais tarde, mas ela foi adoptada por uma família de Leiden e acabou por ficar na Holanda.
Quando tinha 24 anos, começou a trabalhar como secretária na Opekta, empresa de Otto Frank, pai de Anne Frank.
Em 16 de Julho de 1941, Miep Santrouschitz casa com o seu namorado, Jan Gies, tornando-se uma cidadã holandesa. O casal viria a ter um filho, Paul.
Foi uma grande amiga de Anne Frank e da sua família que ajudou, trazendo-lhes comida e outros bens indispensáveis, quando se viram obrigados a esconderem-se num anexo do escritório de Otto Frank, pelo facto de serem judeus. Quando a família Frank foi apanhada pelas SS, no dia 4 de Agosto de 1944, Miep voltou ao sótão onde tinha vivido Anne com a sua família durante dois anos e descobriu, no chão, folhas soltas escritas pela amiga. Guardou os manuscritos e manteve-os a salvo, na esperança de um dia os poder entregar a Anne. Conservou-os até ao fim da Segunda Guerra Mundial, entregando-os, nessa altura, ao pai de Anne porque esta, infelizmente, morrera de tifo, com a sua irmã, no campo de concentração de Bergen-Belsen.
Miep Gies recebeu vários prémios:
• em 1996, juntamente com o cineasta Jon Blair, o Óscar pelo documentário Anne Frank Remembered;
em 1994, concederam-lhe a Cruz dos Justos no memorial Yad Vashem, em Jerusalém
• por fim, a rainha Beatriz da Holanda fê-la Cavaleiro da Ordem Laranja – Nassau.
Em meados dos anos 80, a escritora americana Alison Gold persuadiu Miep Gies a participar num projecto comum de um livro autobiográfico de sucesso, Meu Tempo Com Anne Frank, que foi publicado em 1987.
Jan Gies, o marido de Miep Gies, morreu em 1993. Miep nessa altura vivia em Amesterdão, na Holanda.
Numa entrevista que deu, em 1997, pela Internet com crianças de todo o mundo, Miep Gies falou do terrível “desapontamento” que sentiu quando os seus “amigos” foram detidos “tão perto do fim da guerra”, quando as forças aliadas já estavam em Amesterdão.
A frase que ela mais detestava ouvir ou ler nas cartas que recebia diariamente era “ A senhora é a minha heroína” porque ela não se via como uma heroína mas como uma pessoa normal.


              


































































2 comentários:

  1. Gostaria de Saber onde podemos comprar o filme da vida de Nicholas Winton,pois sobre Shindller temos o filme comercialmente vendido, e não encontramos nenhum filme de Nicholas para compra

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    1. Cara leitora: Eu própria nunca encontrei um filme sobre a sua vida , e bem gostaria!Pode ser que ainda venha a ser realizado por alguém. Por enquanto temos de nos contentar com a informação de que dispomos.

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